sexta-feira, 29 de maio de 2009

Por fim uma alma!


Não se pode dizer mais
Que o céu continua o mesmo...
Não se pode sentir mais
O vento como antigamente

Talvez tudo tenha acabado
Num finito encontro de olhos
Ou apenas tudo tenha começado
Como quando a noite se formou

Um dia fui uma mera criança
E hoje como mulher me encontro
Olho meu rosto no espelho e
Vejo que minha tez mudou...
Não sou mais aquela garotinha
Que por ti se apaixonou...

Procuro-te em vagos sonhos...
Solitária dou os passos de uma vida...
Busco os sonhos de outrora...
Tentando vivê-los agora...

Oh vida! Quão grandiosa és...
Traz-me doces momentos...
Dá-me amargos sabores...
E ainda assim....
Deslumbro teu belo encanto...

Quantas palavras
São, pois soltadas ao vento
Na mera esperança de que alguém...
Onde esteja as escutem...

Oh! Quão belos são os sons
Que a natureza expressa...
Que sintonia plena estão com
O universo que os regem...

Peço, pois, que tu,
Que estás a ler-me
Entenda tudo o que digo...
Pois como poetisa não gosto de expor-me
Mas creio que já o fiz.

Entenda então caro amigo...
Que a beleza é infinita na dor
Tão como no amor...

Ah!!!! O amor...
Quantos o buscam...
Amor à distância, amor ao lado
Amor na música e em todos os passados

Sejam, pois abençoados
Todos quantos o encontraram...
E vivam deliberadamente...
E ousem e cantem... e se arrisquem

Pois como poetisa árcade
Aconselho-o a viver intensamente
A viver o agora... AGORA!

E como uma romântica
Aconselhá-lo-ei a idealizar teus sonhos
E que todos eles sejam sublimes...
Perfeitos... e a tua razão de viver.

Mas realista digo-te
“Pára... anda com cautela...
Sonhe, mas, não tanto... a vida espera-te”
AH! Se tivessem me dito isso antes....
Talvez agora eu não estaria aqui...
E nem dizer tudo isso eu faria!

Peço que não se preocupes
Tanto com a estética...
Mas sim com a alma...
Encontre em todas as formas e cores
Os símbolos mágicos escondidos...

Desejo por fim
Jovem estudante...
Que seja cortês e valente...
E descubra no final de tudo isso...
Que TUDO vale à pena...
E que cada coisa tem seu valor...

Agora ó bravo guerreiro
Que leu minhas palavras...
Despeço-me dizendo...
Cada poema tem uma história de vida...
E para cada vida há um poema...

Talvez tenhas interesses em
Uma das muitas formas...
Mas no fundo são apenas
Tua alma...
EXPOSTA em insignificantes linhas!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Revirando


Reviro-me no silêncio de meu quarto escuro
Não tenho nada para fazer,
O sono ainda não se abateu sobre mim.
Estava lá naquele lugar, pensando... Pensando.

Aquelas quatro paredes sabem de muitas coisas.
Foi trancada naquele lugar que eu sofri
Que eu chorei
Que eu gritei
Que eu pulei
Que eu confessei

É a minha fortaleza.
O meu porto seguro,
Não, ela não é feita de muros
Ela feita de certeza.

Lá, escrevo todos os meus sentimentos
Crio histórias, viajo para muitos anos atrás
Lá, eu cresci, e continuo crescendo mais
Lá, existem gravados, todos os meus pensamentos.

Volto a olhar para o teto...
Reviro mais uma vez na cama
Viajo para outro Estado...
Isso geralmente acontece com quem ama.

Encontro-me naquele mesmo devaneio há horas
O tic-tac não me incomoda mais...
Imagino um mundo meu... Um lugar onde tudo pode
Onde tudo é perfeito, onde não há maldade.


Não custa imaginar que tudo seja assim,
Não custa dar asas a imaginação.
Se a utopia de igualdade da vontade geral de Rousseau foi ouvida
Por que insistem em me dizer que não posso sonhar?

Lembro-me de dias atrás,
Remonto cenas, revejo pessoas...
E lá... Lá estás tu... A me olhar sem jeito
Com aquele sorriso no canto a me esperar.

Volto a me mexer...
Parece que o tempo parou...
Eu te sinto dentro de mim, sinto teu perfume
Sinto teu abraço...

Sim, algo aconteceu entre nós...
É impossível negar...
E num futuro não tão distante...
Iremos, aos nossos filhos contar...
Todas as lutas, todas as intenções,
Toda essa teia complexa que envolve o verbo amar!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Efemeridade Vital


Chovia muito naquele dia
As gotas d’água confundiam-se
Com as minhas lágrimas...
E tudo se tornara um oceano em minha frente

Não sabia, eu, se tudo iria passar
Calmamente tudo se encaixava em minha mente
Era como se eu fosse o único sobrevivente daquele lugar
O único daquela tormenta

Pouco a pouco as vozes que outrora se fizeram tão nítidas
Foram desaparecendo....
E o quase silêncio paradoxalmente tornava-se ensurdecedor
E calou-se uma a uma... E então do passado fez-se a pausa.

Completamente confuso e atordoado
Meu espírito quis entender e buscar uma saída lógica
Completamente lúcida e decidida
Minh’alma queria partir.

Cega surda e muda ficou por fim minha pessoa
Com cicatrizes a mostra revia as marcas de meu passado
Vislumbrei o futuro por muitos aclamados...
E vivi num presente abençoado.


Se queixar posso-me da vida que tive
Talvez o faça por não ter tido tantos sonhos
E se os tive faltou-me a coragem
E se a tive escapou-me a oportunidade.

Porém, em tudo quanto andei,
Descobri um vasto mundo
Onde de conhecimento me cerquei
E de pessoas me encantei

Cada uma com um jeito
E com uma visão
Mas todos com a mesma sede
De vida de sonhos de amor!

Então, próximo ao fim de minha caminhada
Posso passar a quem estás a ler-me
Que por mais diversos sejam os lugares
Os homens são uns só...

Todos com a mesma essência
Todos com os mesmos sonhos
E se o tempo passa para todos, como para mim,
Certamente entenderão que de nada adianta
Chegar até tão longe, sem ter vivido plenamente.