domingo, 25 de outubro de 2009

Incrível Descoberta




Tentava refletir tudo
Pelo qual eu tinha passado...
Não me atrevia ir muito longe
De tudo que eu havia caminhado.

Era tão... Seguro em si mesmo
Fico a questionar-me
O que tinha acontecido de fato?
Para aonde tudo isso iria me levar...

Não tive como pensar muito
O tempo para mim era algo curto demais.
E eu tinha tamanha convicção disso...
Talvez pelo fato de tê-lo desperdiçado...
Tantas e tantas vezes.

Algumas coisas nunca mudam,
É sempre isso que tenta me dizer...
Mas, no fundo eu sei o quanto és falho...
Tentar acreditar em algo que não se possa ver!

Eu tentei...
E por muito tempo acreditei...
Não só por mim, mas por ti também,
E por todos, mas, tudo em vão.
Seguindo tentei conciliar
Uma realidade inventada e
Uma ilusão real...
Mas todo o tempo que eu perdi
Consumiu-me, e então eu me joguei...

Cai do mais alto penhasco e cheguei ao mar
Senti frio e medo, e vontade de chorar...
Senti-me culpada por tanto te amar...
E me entreguei...

Depois de ser levada por ondas até a praia
Continue deitada esperando tudo se acalmar...
E enfim, ficou tudo tão claro...
Tão nitidamente claro...

Não era a ti que eu tentava ver...
Era a MIM mesma...
E que tinha me esquecido de mim por ti...
Que tinha feito tudo para alguém...
E esse alguém não era EU...

Então como num devaneio
Comecei a rir comigo mesma...
Calma e consciente de tudo percebi...
Eu não tinha me perdido de mim mesma...
Foras tu quem te perdeste dentro de mim,
E agora é tarde demais para que tu me faças voltar atrás!


Vivo agora em novo momento...
O que acontecerá daqui em diante...
Dane-se o futuro... o que importa é a verdade que irei contar...
Estou livre, leve e solta, como nunca me senti assim em ANOS!

"A VIDA É CURTA. CURTA!!!".....rs*

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O melhor....


Vejo pessoas andando nas ruas...
Vejo o caminhar descompassado...
Vejo tudo sendo indiferente, até com a Lua...
Vejo teu jeito de ser meu amado!

Sinto o cheiro das flores por onde passo...
Sinto o vento acariciar meu braço...
Sinto a terra a fortificar meu canto...
Sinto a alegria aliviar meu pranto...

Escuto as vozes doces das pessoas
Escuto as melodias que entoam...
Escuto longos acordes de Chopin...
Escuto todos pelos caminhos das ruas...

E como humana hei de transcrever...
O quão lindo és ver...
És sentir... E dizer...
Que apesar de tudo o mais precioso
É viver... E pela vida amada ser!

domingo, 5 de julho de 2009

Até na eternidade.


O vento canta lá fora
Faz soar uma triste melodia
Congela a alma de seres mortais
Expressando o que sinto nessa minha vida
Errante imortal.

A chuva derrama as lágrimas
Que minha frieza não me permite
Derramar...
Vem gelada e sombria
Tentando, inutilmenmte, confortar
Meu coração pequeno e vazio.

A terra equilibra os seres
É o abrigo e o aconchego de muitos
Faz renascer vida em flores
Mas o que ela não traz de volta...
Deixa-me assim...
Saudosa, sozinha.

O fogo azul e negro
Vê o meu descontento
Domina o meu corpo
Aquece-me...
De nada adianta...

Meus olhos antes azuis
Tornaram-se negros com este fogo
Trasbordam em mim
A ira, a raiva, e o amor roubado.

Que trovões cantem junto ao vento
Levem daqui a minha dor
Um ano* se passou desde a última vez que te vi
Mas tu... tu não me viu...
Eu toquei-te o rosto, e tu não sentiu...
Disse o quanto te amo...
E tu não me escutou...

Não pôdes, e jamais poderá...
Talvez a culpa fora minha
E agora é tarde demais...
Ao menos as lembrancças não me foram tomadas
E nem o vento as levará...
E nem a terra as enterrará.

Amo-te ainda hoje
E o amarei para sempre...
Até o dia em que a morte me leve
E na eternidade eu o reencontre!



*Esse poema foi escrito a exatamente um ano. Dia 05.07.08. Dia em que meu completou um ano da morte do meu avô Josias. Hoje já faz dois anos... e eu ainda sinta tua falta... Essa é uma homenagem dolorosa que faço para um dos homens que mais amo nessa vida... Mesmo que seja apenas uma lembrança viva em minha mente... em minha vida!!!

"Eu vi o que ninguém me mostrou, e aprendi aquilo que ninguém me ensinou!" (Josias Santos). Vô eu te amo!!! E seja onde for que tu estejas.... sei que o senhor olha por mim!!! ♥

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quero alguém...


Eu sei o que eu quero. Eu sei sim: Quero alguém para brigar.... Para dividir todos os momentos da minha vida.... Alguém para sair aos fins de semana... Alguém que eu apresente para minha família para meus amigos.... Alguém que eu possa chamar de MEU (Tereza Cristina depois eu pago o direito autoral a ti não te preocupes).... Quero alguém que seja muito mais que um amigo e menos que um amante.... quero alguém para andar abraçada na rua... para rir das coisas por menores que sejam...
Alguém que eu possa ligar de madrugada porque estou com saudades... E que me ligue também.....Eu quero que seja alguém que goste de fazer surpresas, por menores que elas sejam, alguém que goste de ouvir minhas histórias, que goste de ouvir minhas músicas, minhas poesias. Quero fazer parte do projeto de vida desse alguém. Quero ajudá-lo a conquistar sonhos, alcançar metas. Quero incentivá-lo a sempre ir mais além do que possas imaginar que és capaz. Quero alguém em que eu possa me deitar para espantar o frio, e até mesmo no verão. Quero alguém para assistir o pôr-do-sol, para ficar olhando para a lua, para andar pela praia sem se importar com o tempo, ou com afazeres posteriores. Que só o fato de estarmos juntos já significaria o mundo. Quero alguém que me ensine algo todos os dias, que consiga entender o fato de eu ser uma menina quando é conveniente e ao mesmo tempo ser uma mulher cotidianamente. Quero poder embalar teus sonos, acariciar e bagunçar todos os teus cabelos, enquanto te faço um carinho. Quero poder cantar em teus ouvidos canções nossas, bem baixinho e dizer de mansinho e ao mesmo tempo aveludadamente o quanto eu te amo, o quão especial és para mim. Quero alguém que me ache a mulher mais incrível do mundo mesmo estando na TPM. Não quero que me vejas como a mulher perfeita, porque isso eu não sou e nunca serei. Mas quero que me ame ao ponto de não valorizar mais os meus defeitos e sim minhas qualidades. Afinal o amor é a única coisa capaz de fazer o homem enxergar a perfeição. Quero ser a primeira pessoa que alguém pense ao acordar e a última antes de se deitar. Quero poder pensar também nesse alguém todos os dias, sem medo do que as pessoas vão dizer, sem medo de estar me iludindo. Quero amá-lo intensamente, deliberadamente, até acabar todo o meu fôlego. Quero poder cometer loucuras e ficar com aquela sensação de “frio na barriga”, quero ter cumplicidade com esse alguém. Quero um alguém que seja parecido e ao mesmo tempo super diferente de mim. Que não se importe em me levar a um teatro, mas que faça questão de me levar para os teus “meios sociais”. Quero alguém que diga com orgulho que é o homem que me conquistou aquele que me possui. Quero alguém que esteja perto estando longe, que me sinta no vento, que me tenha no pensamento, que me guarde no coração. Quero ser apresentada como “minha namorada”, e ser chamada de “meu amor”. Quero poder criar apelidos carinhosos, fazer o ridículo e por fim, sentar rindo de todo o ocorrido. Quero alguém que testemunhe minha vida e que me deixe testemunhar a sua. Alguém que faça com que minha passagem por esse mundo não seja despercebida. Quero alguém que tenha a mentalidade de um homem, corpo de homem, atitude de homem, mas que seja puro como um garotinho. Eu simplesmente... Quero esse alguém!E enquanto ele não chega... Só me resta esperar! Enfim, acho q já deu para entender.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Por fim uma alma!


Não se pode dizer mais
Que o céu continua o mesmo...
Não se pode sentir mais
O vento como antigamente

Talvez tudo tenha acabado
Num finito encontro de olhos
Ou apenas tudo tenha começado
Como quando a noite se formou

Um dia fui uma mera criança
E hoje como mulher me encontro
Olho meu rosto no espelho e
Vejo que minha tez mudou...
Não sou mais aquela garotinha
Que por ti se apaixonou...

Procuro-te em vagos sonhos...
Solitária dou os passos de uma vida...
Busco os sonhos de outrora...
Tentando vivê-los agora...

Oh vida! Quão grandiosa és...
Traz-me doces momentos...
Dá-me amargos sabores...
E ainda assim....
Deslumbro teu belo encanto...

Quantas palavras
São, pois soltadas ao vento
Na mera esperança de que alguém...
Onde esteja as escutem...

Oh! Quão belos são os sons
Que a natureza expressa...
Que sintonia plena estão com
O universo que os regem...

Peço, pois, que tu,
Que estás a ler-me
Entenda tudo o que digo...
Pois como poetisa não gosto de expor-me
Mas creio que já o fiz.

Entenda então caro amigo...
Que a beleza é infinita na dor
Tão como no amor...

Ah!!!! O amor...
Quantos o buscam...
Amor à distância, amor ao lado
Amor na música e em todos os passados

Sejam, pois abençoados
Todos quantos o encontraram...
E vivam deliberadamente...
E ousem e cantem... e se arrisquem

Pois como poetisa árcade
Aconselho-o a viver intensamente
A viver o agora... AGORA!

E como uma romântica
Aconselhá-lo-ei a idealizar teus sonhos
E que todos eles sejam sublimes...
Perfeitos... e a tua razão de viver.

Mas realista digo-te
“Pára... anda com cautela...
Sonhe, mas, não tanto... a vida espera-te”
AH! Se tivessem me dito isso antes....
Talvez agora eu não estaria aqui...
E nem dizer tudo isso eu faria!

Peço que não se preocupes
Tanto com a estética...
Mas sim com a alma...
Encontre em todas as formas e cores
Os símbolos mágicos escondidos...

Desejo por fim
Jovem estudante...
Que seja cortês e valente...
E descubra no final de tudo isso...
Que TUDO vale à pena...
E que cada coisa tem seu valor...

Agora ó bravo guerreiro
Que leu minhas palavras...
Despeço-me dizendo...
Cada poema tem uma história de vida...
E para cada vida há um poema...

Talvez tenhas interesses em
Uma das muitas formas...
Mas no fundo são apenas
Tua alma...
EXPOSTA em insignificantes linhas!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Revirando


Reviro-me no silêncio de meu quarto escuro
Não tenho nada para fazer,
O sono ainda não se abateu sobre mim.
Estava lá naquele lugar, pensando... Pensando.

Aquelas quatro paredes sabem de muitas coisas.
Foi trancada naquele lugar que eu sofri
Que eu chorei
Que eu gritei
Que eu pulei
Que eu confessei

É a minha fortaleza.
O meu porto seguro,
Não, ela não é feita de muros
Ela feita de certeza.

Lá, escrevo todos os meus sentimentos
Crio histórias, viajo para muitos anos atrás
Lá, eu cresci, e continuo crescendo mais
Lá, existem gravados, todos os meus pensamentos.

Volto a olhar para o teto...
Reviro mais uma vez na cama
Viajo para outro Estado...
Isso geralmente acontece com quem ama.

Encontro-me naquele mesmo devaneio há horas
O tic-tac não me incomoda mais...
Imagino um mundo meu... Um lugar onde tudo pode
Onde tudo é perfeito, onde não há maldade.


Não custa imaginar que tudo seja assim,
Não custa dar asas a imaginação.
Se a utopia de igualdade da vontade geral de Rousseau foi ouvida
Por que insistem em me dizer que não posso sonhar?

Lembro-me de dias atrás,
Remonto cenas, revejo pessoas...
E lá... Lá estás tu... A me olhar sem jeito
Com aquele sorriso no canto a me esperar.

Volto a me mexer...
Parece que o tempo parou...
Eu te sinto dentro de mim, sinto teu perfume
Sinto teu abraço...

Sim, algo aconteceu entre nós...
É impossível negar...
E num futuro não tão distante...
Iremos, aos nossos filhos contar...
Todas as lutas, todas as intenções,
Toda essa teia complexa que envolve o verbo amar!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Efemeridade Vital


Chovia muito naquele dia
As gotas d’água confundiam-se
Com as minhas lágrimas...
E tudo se tornara um oceano em minha frente

Não sabia, eu, se tudo iria passar
Calmamente tudo se encaixava em minha mente
Era como se eu fosse o único sobrevivente daquele lugar
O único daquela tormenta

Pouco a pouco as vozes que outrora se fizeram tão nítidas
Foram desaparecendo....
E o quase silêncio paradoxalmente tornava-se ensurdecedor
E calou-se uma a uma... E então do passado fez-se a pausa.

Completamente confuso e atordoado
Meu espírito quis entender e buscar uma saída lógica
Completamente lúcida e decidida
Minh’alma queria partir.

Cega surda e muda ficou por fim minha pessoa
Com cicatrizes a mostra revia as marcas de meu passado
Vislumbrei o futuro por muitos aclamados...
E vivi num presente abençoado.


Se queixar posso-me da vida que tive
Talvez o faça por não ter tido tantos sonhos
E se os tive faltou-me a coragem
E se a tive escapou-me a oportunidade.

Porém, em tudo quanto andei,
Descobri um vasto mundo
Onde de conhecimento me cerquei
E de pessoas me encantei

Cada uma com um jeito
E com uma visão
Mas todos com a mesma sede
De vida de sonhos de amor!

Então, próximo ao fim de minha caminhada
Posso passar a quem estás a ler-me
Que por mais diversos sejam os lugares
Os homens são uns só...

Todos com a mesma essência
Todos com os mesmos sonhos
E se o tempo passa para todos, como para mim,
Certamente entenderão que de nada adianta
Chegar até tão longe, sem ter vivido plenamente.

domingo, 26 de abril de 2009

Vida


Há sempre uma pequena confusão...
Ora o mundo transforma-se sorrateiro
Ora mantêm-se de forma interesseiro...
Afinal... o que tudo isso representa?

Talvez seja o misterioso futuro
Que vem aos poucos...
Lento leve despercebido...
Molda o presente... modifica

Não sei mais o que esperar...
Minhas muitas primaveras já estão confusas...
Páro...
Respiro devagar... é melhor eu voltar a andar.

Pego uma caixa empoeirada de cima do armário
Com uma devoção tamanha a retiro daquele lugar...
Em cima... na tampa vem escrito a mão: Lembraças...
Tenho receio de ver meu passado outra vez...

Finalmente... retiro a tampa...
E está tudo lá.... o passado torna-se presente novamente...
É um filme que eu já conheço... e o vejo passar mais uma vez!
Fotos... cartas... algumas flores já envelhecidas...

Rostos e vozes vão se formando nesta imensidão
É como se tudo estivesse acontecendo aqui... agora...
Alguns já se foram... e outros há pouco chegaram...

São lembranças belas...
Lembranças ternas...
De um tempo que não volta...
Porém... que jamais será esquecido

Mas...Fico com uma dúvida na mente...
A dúvida de ter sido ou não o protagonista...
De ter vivido plenamente...
Nesse ilustre espetáculo....
Do qual denominamos vida...

Entretanto, só resta-me uma certeza...
A peça só receberá suas críticas depois de concluida...
Quando isto acontecer não estarei mais aqui...
Mas de onde eu estiver quero ouvir os aplausos... ou não!
E quero que meus netos saibam de como eu amei...
Os caminhos por onde, nesta ilustre vida, eu andei!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Inspiração


Existe um algo que move minhas mãos
Existe uma força que segura....
Capaz de controlar a emoção...
Uma coisa singela.... obscura.

Existe um bem maior para todos
Há a verdade dos poucos
E uma busca incessante
De um caminho aterrorizante...

Do outro lado
Contrário ao que vento faz a curva
Encontra-se uma pequena luz turva
Que afaga o meu cabelo... molhado.

Vê-se rosas jogadas ao chão....
Ouve-se uma melodia de violino
Teme-se a escuridão
Cheira-se o medo de um menino.

E tudo passa...
E tudo muda...
E tudo cria...
Tudo... tudo...

Ouve-se a marcação de um piano
Sente-se o vento a soprar....
Dança-se envolta da chuva....
E tudo isso sob o luar...

Então....
Alguém me chama...
Desperto de minha imaginação...
Perco o compasso.... o passo... o ritmo...
É... eu estava no meu mundo....
Meu mundo mágico Inspiração!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Medo


Existe um sentimento estranho que me consome por dentro. Sentimento confuso, difuso, esquisito. Devora meus passos, rouba minhas metas, me deixa assim... Para trás. Seguindo meu caminho, continuo esquiva. Cometo equívocos com as pessoas. Caminho correndo, quero ir embora.... Sem lugar determinado.... Vou para onde o vento me levar.
A chuva bate em meu rosto... Molha meu corpo... Renova meu espírito. Mas mesmo assim continuo com a mesma sensação que sempre me acompanhou.... E continua há quase duas décadas. Tal como uma garotinha assustada, continuo seguindo mas o fato é: não tenho direção a seguir. O mesmo vento que me direciona é o que me protege e acompanha. Se eu for para um lugar diferente do que ele esperava, ele muda de direção, mas nunca pára de soprar.
Sinto sede e fome, mas não é de água e nem de comida. Sinto sono, mas não é por falta de dormir, ou por cansaço excessivo. Sinto um perfume de homem, mas não é o teu. Sinto tudo o que uma mulher sente por um homem, mas não direciono esse sentimento a ninguém.
Parece-me que a vida escorre de meus dedos. Todos os dias que eu acordo significa menos um dia de vida, ou será que é o contrário? Não tenho certeza se estou vivendo mais ou se estou cumprindo o meu “prazo de validade”. Não sei se tenho sonhado os sonhos comuns de todos os homens, ou se tenho visto a realidade futura. Não sei mais se eu te amo porque eu te amo, ou se é cômodo dizer que amo alguém. Parece-me que a certeza da vida se esvai conforme os meus, poucos, passos dados.
O fogo arde frente aos meus olhos azuis. A chama que emana aquele calor amigo, aquele abraço antigo que só eu conheci, continua lá. Sinto que posso conquistar o mundo quando acendo, dentro de mim, a chama desse fogo negro, azul, vermelho. Ando pela minha estrada solitária. Vou descalça... Sinto a terra embaixo dos meus pés. Suas pequeninas pedras machucam-me, sangram-me, cortam-me, ensinam-me. Fico calejada por tamanhos machucados, que de pequenos tornam-se grandes. Fico calejada de encontrar pedras e cair e ter que levantar. Sinto a incerteza bater em meu corpo... Sinto o medo consumir meus sentidos.....
Perco a noção de tempo e de espaço... Vivo o meu momento, sendo consumida pelo medo... O medo que me assombra desde pequena. Que me ameaça de furto... De morte... De solidão... Medo presente quando tu estás ausente... Medo de não ter vivido como deveria... Infinitamente num mundo estranho... Nem gélido, nem caloroso.... Num mundo dos passos falsos, dos espelhos alojados, das ilusões marcadas, das fantasias insistentes. Mundo das marcas, das sombras, das falhas, dos enganos.... Num mundo guiado pelo medo.... Medo de tudo aquilo que eu sempre quis não se realizar... Medo de nunca dizer eu te amo, medo de nunca poder olhar-te como sempre sonhei. De não poder viajar para os lugares com que mais me encantei. De nunca criar uma música nossa, de nunca dançar ao luar. Medo de não agir esperando que tu faças algo por nós, que tu saias desse teu casulo infernal e volte à realidade. Medo de fazer algo que possas afastá-lo de mim, medo de por não dizer o que minh’alma está cheia perder-te eternamente. Medo, simples e singelo medo, companheiro eterno de toda uma vida. Medo de acordar sozinha. Medo de ser esquecida. Medo de perder o teu reflexo gravado dentro de mim. Enfim... Medo de tudo isso ser o sonho mais real da minha vida.... E de amanhã ser tarde demais para chorar pelas coisas que eu mesma perdi.... Por puro medo de tentar, por puro medo de me arriscar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Transformações


É tudo muito estranho
De repente algo está bem
Logo tudo se transforma
Mas é tudo de repente

De repente a alegria
Se fez tristeza
E o gozo da vida
Se torna efêmero

Tudo se transforma
E a modificação toma conta...
As fotografias se tornam amareladas
Como as tez ficam enrugadas

Nesse ponto...
O super-herói se torna fraco
E aquela força que a ti passava
Ganha outro aspecto...

As características se modificam...
As estruturas se desfazem
OUtras são, por nós, adquiridas
E o que nos resta?!

Talvez umas lembranças
Cartas, fotos, memórias...
Mas, isso acaba...
Resta-nos a esperança
E a vida inteira só conseguimos sobreviver
Por acreditarmos no amanhã!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Silêncio


Por fim um silêncio me agride, faz com que eu enlouqueça por dentro. Minh'alma perde a direção e vaga longe de meu corpo, acompanha meus pensamentos, viaja milhas e milhas de distâncias e pára num local desconhecido, num lugar onde não é aceita.

Resta-me um silêncio. Os olhares já se cessaram.... Os toques já pereceram... e tudo aquilo q as pessoas tendem a acreditar sucumbi frente aos teus próprios olhos. Continuo errante... em vagos pensamentos alcanço-te e quero tê-lo para mim. Por alguns instantes.... segundos.... os momentos são tão pequenos, o que ganhas negando-me um pedaço de chão? Ah os sonhos de uma menina são belos, porém, acabam-se no decorrer dos passos.

Os traços mudam, as formas modificam-se... Tudo continua seguindo o seu curso, e a monotomia da vida só conquista espaço.

Fica um silêncio. O silêncio das palavras não ditas, das cartas não lidas, das falas perdidas. Resta-me a dúvida. A constante dúvida q me assombra dia após dia indagando-me como seria se eu tivesse me jogado de braços abertos para ti. Se eu tivesse largado tudo e me sujeitado ao mínimo de teu amor. Sobra um sonho... um sonho sonhado, esquecido, longe, e borrado. Vejo tua imagem refletir num espelho d'agua e tal como Narciso quase morro por amor (a diferença é q não venero a mim mesma). Um sonho de menina, de mulher. Um sonho consumido pelo tempo.... transformado pelas mudanças de pensamento. O que esperavas? Que a terra do nunca fosse minha eterna moradia, e que quando a realidade o frustrasse seria lá que me encontrarias? Pura ilusão.... puro devaneio.... pura fantasia....

Fico a mercê do tempo... e tento esperar-te pacientemente, não sei mais pq o faço, mas dentro de mim ainda existe a certeza.... ainda existe a esperança... agarrada em meio a um caminho encoberto pelo breu da incerteza...

Consolo-me num silêncio.... e por todas as vezes que o vejo partir é assim que fico.... a mercê do tempo.... do vento... que acaria a minha tez e a avermelha. Vento este que me une a ti e tu a mim. Vento que é mais que um amigo é um irmão confidente, presente, é o último que se vai.... e o primeiro que chega.....

Por fim.... iludo-me num silêncio mortal, fatal. Silêncio este de tudo aquilo que eu queria dizer-te e que nunca tive a coragem de o fazê-lo..... solto palavras contra o vento.... mas tu.... estás cego e surdo para entender o que este tão puro elemento tenta explicar-te.... num mais infinito e sublime de teu ser..... soprando a verdade de um coração que te ama.... em silêncio!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Oh quão triste serei!


Com tua singela voz
Enlouquece-me
Com teu doce toque
Enaltece-me
Tua grandeza é sublime...
Teu olhar é majestoso...

Não há, pois mortal algum
Capaz de negar-te a morte
Não há, pois sequer alguém
Capaz de esquecer-te em vida!

Tua voz embala-me
Como um veludo em meu corpo
Tuas palavras
Tornam-me bêbado de amor...
De devoção...
Entrego-me a ti...
Não espero por fim nada demais...

Quero apenas vossa presença
Quero ao menos vosso carinho
E se há, pois graça maior do que essa
Que vos peço...
Então quero deitar-me em um
Humilde leito, e vos ser fiel até a morte!

Morte esta sublime e grandiosa
Por mil feitos odiada
E por tantos outros idolatrada.
Não permita Oh Bom Deus
Que este hipnotizante encanto
Que sobre meus cuidados adormece
Um dia de mim se perca...

Oh quão triste serei...
Sem tua voz ouvir...
Sem teu corpo acariciar...
Sem tua harmonia em minha vida...
Sem estas infinitas notas...
Que sutilmente ouso tocar...

Oh quão triste serei
Sem música para me animar...
Sem melodias a cantar...
Sem tuas aveludadas teclas
Negras e brancas...
Sem tuas efêmeras e eternas canções...


Oh Bom Deus...
Não tire, pois minha razão de vida...
Antes, porém, entrega-me uma benção...
Onde possa eu, em meu último suspiro
Repetir a melodia...
Que outrora minhas mãos tão jovens
Tocaram com tamanha adoração...

Naquela efêmera tarde
Num ilustre e simples...
Belo e notável...
Piano negro!