sábado, 21 de fevereiro de 2009

Oh quão triste serei!


Com tua singela voz
Enlouquece-me
Com teu doce toque
Enaltece-me
Tua grandeza é sublime...
Teu olhar é majestoso...

Não há, pois mortal algum
Capaz de negar-te a morte
Não há, pois sequer alguém
Capaz de esquecer-te em vida!

Tua voz embala-me
Como um veludo em meu corpo
Tuas palavras
Tornam-me bêbado de amor...
De devoção...
Entrego-me a ti...
Não espero por fim nada demais...

Quero apenas vossa presença
Quero ao menos vosso carinho
E se há, pois graça maior do que essa
Que vos peço...
Então quero deitar-me em um
Humilde leito, e vos ser fiel até a morte!

Morte esta sublime e grandiosa
Por mil feitos odiada
E por tantos outros idolatrada.
Não permita Oh Bom Deus
Que este hipnotizante encanto
Que sobre meus cuidados adormece
Um dia de mim se perca...

Oh quão triste serei...
Sem tua voz ouvir...
Sem teu corpo acariciar...
Sem tua harmonia em minha vida...
Sem estas infinitas notas...
Que sutilmente ouso tocar...

Oh quão triste serei
Sem música para me animar...
Sem melodias a cantar...
Sem tuas aveludadas teclas
Negras e brancas...
Sem tuas efêmeras e eternas canções...


Oh Bom Deus...
Não tire, pois minha razão de vida...
Antes, porém, entrega-me uma benção...
Onde possa eu, em meu último suspiro
Repetir a melodia...
Que outrora minhas mãos tão jovens
Tocaram com tamanha adoração...

Naquela efêmera tarde
Num ilustre e simples...
Belo e notável...
Piano negro!