
Há sempre uma pequena confusão...
Ora o mundo transforma-se sorrateiro
Ora mantêm-se de forma interesseiro...
Afinal... o que tudo isso representa?
Talvez seja o misterioso futuro
Que vem aos poucos...
Lento leve despercebido...
Molda o presente... modifica
Não sei mais o que esperar...
Minhas muitas primaveras já estão confusas...
Páro...
Respiro devagar... é melhor eu voltar a andar.
Pego uma caixa empoeirada de cima do armário
Com uma devoção tamanha a retiro daquele lugar...
Em cima... na tampa vem escrito a mão: Lembraças...
Tenho receio de ver meu passado outra vez...
Finalmente... retiro a tampa...
E está tudo lá.... o passado torna-se presente novamente...
É um filme que eu já conheço... e o vejo passar mais uma vez!
Fotos... cartas... algumas flores já envelhecidas...
Rostos e vozes vão se formando nesta imensidão
É como se tudo estivesse acontecendo aqui... agora...
Alguns já se foram... e outros há pouco chegaram...
São lembranças belas...
Lembranças ternas...
De um tempo que não volta...
Porém... que jamais será esquecido
Mas...Fico com uma dúvida na mente...
A dúvida de ter sido ou não o protagonista...
De ter vivido plenamente...
Nesse ilustre espetáculo....
Do qual denominamos vida...
Entretanto, só resta-me uma certeza...
A peça só receberá suas críticas depois de concluida...
Quando isto acontecer não estarei mais aqui...
Mas de onde eu estiver quero ouvir os aplausos... ou não!
E quero que meus netos saibam de como eu amei...
Os caminhos por onde, nesta ilustre vida, eu andei!




