sexta-feira, 3 de abril de 2009

Medo


Existe um sentimento estranho que me consome por dentro. Sentimento confuso, difuso, esquisito. Devora meus passos, rouba minhas metas, me deixa assim... Para trás. Seguindo meu caminho, continuo esquiva. Cometo equívocos com as pessoas. Caminho correndo, quero ir embora.... Sem lugar determinado.... Vou para onde o vento me levar.
A chuva bate em meu rosto... Molha meu corpo... Renova meu espírito. Mas mesmo assim continuo com a mesma sensação que sempre me acompanhou.... E continua há quase duas décadas. Tal como uma garotinha assustada, continuo seguindo mas o fato é: não tenho direção a seguir. O mesmo vento que me direciona é o que me protege e acompanha. Se eu for para um lugar diferente do que ele esperava, ele muda de direção, mas nunca pára de soprar.
Sinto sede e fome, mas não é de água e nem de comida. Sinto sono, mas não é por falta de dormir, ou por cansaço excessivo. Sinto um perfume de homem, mas não é o teu. Sinto tudo o que uma mulher sente por um homem, mas não direciono esse sentimento a ninguém.
Parece-me que a vida escorre de meus dedos. Todos os dias que eu acordo significa menos um dia de vida, ou será que é o contrário? Não tenho certeza se estou vivendo mais ou se estou cumprindo o meu “prazo de validade”. Não sei se tenho sonhado os sonhos comuns de todos os homens, ou se tenho visto a realidade futura. Não sei mais se eu te amo porque eu te amo, ou se é cômodo dizer que amo alguém. Parece-me que a certeza da vida se esvai conforme os meus, poucos, passos dados.
O fogo arde frente aos meus olhos azuis. A chama que emana aquele calor amigo, aquele abraço antigo que só eu conheci, continua lá. Sinto que posso conquistar o mundo quando acendo, dentro de mim, a chama desse fogo negro, azul, vermelho. Ando pela minha estrada solitária. Vou descalça... Sinto a terra embaixo dos meus pés. Suas pequeninas pedras machucam-me, sangram-me, cortam-me, ensinam-me. Fico calejada por tamanhos machucados, que de pequenos tornam-se grandes. Fico calejada de encontrar pedras e cair e ter que levantar. Sinto a incerteza bater em meu corpo... Sinto o medo consumir meus sentidos.....
Perco a noção de tempo e de espaço... Vivo o meu momento, sendo consumida pelo medo... O medo que me assombra desde pequena. Que me ameaça de furto... De morte... De solidão... Medo presente quando tu estás ausente... Medo de não ter vivido como deveria... Infinitamente num mundo estranho... Nem gélido, nem caloroso.... Num mundo dos passos falsos, dos espelhos alojados, das ilusões marcadas, das fantasias insistentes. Mundo das marcas, das sombras, das falhas, dos enganos.... Num mundo guiado pelo medo.... Medo de tudo aquilo que eu sempre quis não se realizar... Medo de nunca dizer eu te amo, medo de nunca poder olhar-te como sempre sonhei. De não poder viajar para os lugares com que mais me encantei. De nunca criar uma música nossa, de nunca dançar ao luar. Medo de não agir esperando que tu faças algo por nós, que tu saias desse teu casulo infernal e volte à realidade. Medo de fazer algo que possas afastá-lo de mim, medo de por não dizer o que minh’alma está cheia perder-te eternamente. Medo, simples e singelo medo, companheiro eterno de toda uma vida. Medo de acordar sozinha. Medo de ser esquecida. Medo de perder o teu reflexo gravado dentro de mim. Enfim... Medo de tudo isso ser o sonho mais real da minha vida.... E de amanhã ser tarde demais para chorar pelas coisas que eu mesma perdi.... Por puro medo de tentar, por puro medo de me arriscar.

Um comentário:

  1. Nossaaaaaa... Q profundo...

    Amei esse poema... De quem vc se referia??? Teria problema eu saber??

    Te adoro...
    BJsss

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